terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Comunidades Cristas e a realidade protestante em Israel

Comunidades Crsitã Protestante em Israel


A história das comunidades cristãs na terra de Israel começa com a vida e o ministério de Jesus de Nazaré. Após sua morte, a primeira Igreja Apostólica, pelo menos aquela em Jerusalém e cercanias, permaneceu em grande parte judaico-cristã até a reconstrução de Jerusalém (em cerca de 130 dC) pelo imperador Adriano, como a cidade romana Aelia Capitolina. Desde aquela data, a igreja local tem sido composta por gentios. Na época da conquista muçulmana, no século 7, a igreja no oriente já estava subdividida em vários grupos, apesar de aparentemente continuarem a compartilhar o uso dos lugares sagrados. Foi apenas com os Cruzados e com a supremacia (praedominium) da igreja latina do Ocidente que surgiu a controvérsia sobre os lugares santos, que continuou ininterruptamente através dos períodos mameluco e otomano, até a declaração do status quo em 1852.

Dos mais de sete milhões de habitantes de Israel hoje, os cristãos representam cerca de 2% (judeus 75,5%, muçulmanos 16,5%, drusos 1,7% e 4,4% não classificados por religião).

As comunidades cristãs podem ser divididas em quatro categorias básicas: ortodoxa-calcedoniana, ortodoxa não-calcedoniana (às vezes chamada de monofisita), católica romana (latina e uniata) e protestante. Essas comunidades consistem de cerca de 20 igrejas antigas e nativas e outras 30, basicamente compostas por grupos denominacionais protestantes. Exceto pelas igrejas nacionais, como a armênia, as comunidades nativas são predominantemente árabe-parlantes; muitas delas, provavelmente, descendentes das primeiras comunidades cristãs do período bizantino.




As Igrejas Protestantes

As comunidades protestantes no Oriente Médio datam apenas do início do século 19 e o estabelecimento das representações diplomáticas ocidentais em Jerusalém. A intenção dessas missões foi evangelizar as comunidades muçulmana e judaica, mas seu único sucesso foi atrair os cristãos ortodoxos árabe-parlantes.

Em 1841, a rainha da Inglaterra e o rei da Prússia decidiram estabelecer um bispado protestante conjunto anglicano-luterano em Jerusalém. O esquema chegou ao fim em 1886, mas o ofício prosseguiu com a Igreja da Inglaterra, que elevou seu representante em Jerusalém ao nível de arcebispo em 1957. Isso terminou em 1976 com a criação da nova Igreja Episcopal Protestante (Anglicana) em Jerusalém e no Oriente Médio e a eleição e consagração do primeiro bispo árabe em Jerusalém. É a maior comunidade protestante na Terra Santa. O bispo anglicano em Jerusalém tem assento na Catedral de São Jorge o Mártir, mantida pela Igreja da Inglaterra por meio de um reitor indicado.

Com a dissolução da iniciativa conjunta anglo-prussiana em 1886, a Igreja Luterano-Alemã estabeleceu uma presença independente em Jerusalém e na Terra Santa. Esta comunidade atraiu um número cada vez maior de membros árabe-parlantes, muitos deles antigos alunos de escolas e outras instituições mantidas pelas igrejas e sociedades luterano-alemãs. Desde 1979, a congregação árabe-parlante tem seu próprio bispo, existindo independentemente da pequena congregação que fala alemão e da Igreja Luterana na Alemanha, representada por um propst (reitor). Ambos os clérigos compartilham as premissas do Propstei na Rua Muristan, na Cidade Velha de Jerusalém.

Também há as congregações luteranas que falam dinamarquês, sueco e inglês, com clérigos representantes das igrejas precursoras para o benefício dos membros visitantes ou residentes em Israel. Em 1982, a Missão norueguesa em Israel transferiu a autoridade e administração das suas duas igrejas missionárias em Haifa e Jafa para as congregações locais.

As atividades da Igreja Batista na Terra Santa começaram com a formação da congregação em Nazaré em 1911. Hoje, a Associação de Igrejas Batistas tem dezoito igrejas e centros em Acre, Caná, Haifa, Jafa, Jerusalém, Kfar-Yassif, Nazaré, Petah Tikva, Ramá, Turan e outros lugares. A maioria dos congregados é composta por árabe-parlantes.

A Igreja da Escócia (Presbiteriana) mandou sua primeira missão para a Galiléia em 1840 e esteve engajada ativamente nos campos da educação e medicina pelos próximos 100 anos. Hoje, uma pequena comunidade, formada principalmente por expatriados servindo a peregrinos e visitantes, a Igreja da Escócia mantém uma igreja e uma casa de repouso em Jerusalém e Tiberíades. A independente Sociedade Missionária Médica de Edimburgo mantém um hospital-escola para enfermeiras em Nazaré.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) estabeleceu uma pequena comunidade em Haifa em 1886 e em Jerusalém em 1972. Os membros da igreja incluem hoje estudantes do Centro de Jerusalém para Estudos do Oriente Próximo, um ramo da Universidade Brigham Young de Provo, Utah.

Além dos já mencionados, existem vários outros grupos denominacionais protestantes, numericamente pequenos, presentes em Israel.

Três assentamentos agrícolas comunitários protestantes foram estabelecidos em diferentes partes de Israel em anos recentes. Kfar Habaptistim, ao norte de Petah Tikva, foi fundado em 1955 e oferece instalações para conferências e acampamentos de verão para comunidades batista e protestante no país. Nes Ammim, próximo de Nahariya, foi fundada por um grupo de protestantes holandeses e alemães em 1963, como um centro internacional para a promoção do entendimento cristão em Israel. Logo a oeste de Jerusalém, Yad Hashmonah, fundada em 1971, opera uma hospedaria para visitantes e peregrinos da Finlândia.


A Embaixada Internacional Cristã de Jerusalém foi fundada em 1980 para demonstrar apoio mundial cristão a Israel e para Jerusalém, sua eterna capital. É um centro onde cristãos de todo o mundo podem obter conhecimentos bíblicos sobre o país e sobre Israel como uma nação moderna. A rede internacional ICEJ inclui escritórios e representantes em 50 países em todo o mundo.



Liberdade religiosa

A atitude básica do estado em relação ao pluralismo religioso encontrou expressão na Declaração de Independência de 1948:

"O Estado de Israel … será baseado na liberdade, justiça e paz como contemplado pelos profetas de Israel; assegurará completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus habitantes independentemente de religião, raça ou sexo; garantirá a liberdade religiosa, de consciência, idioma, educação e cultura."

O documento expressa a visão da nação e sua crença e a adesão a esses princípios é garantida por lei. Cada comunidade religiosa é livre para exercer sua fé, observar seus feriados religiosos e dias de descanso semanais e administrar seus negócios internos.

Lugares Sagrados

Via Dolorosa Israel tem muitos sítios considerados sagrados pelas três religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo). A liberdade de acesso e louvor é assegurada a todas elas.

"Os Lugares Sagrados serão protegidos de profanação e qualquer outra violação e de qualquer coisa que possa violar a liberdade de acesso aos membros das várias religiões aos locais sagrados para elas ou seus sentimentos em relação a tais lugares." (Lei de proteção aos Lugares Sagrados, 1967)

Dentre os locais sagrados em Israel de significância para o cristianismo estão a Via Sacra, o Cenáculo e a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, a Igreja da Anunciação em Nazaré, o monte das Bem-Aventuranças, Tabgha e Cafarnaum, próximo do lago Kinneret (o mar da Galiléia).


O Departamento para as comunidades cristãs

O governo de Israel não interfere na vida religiosa das comunidades cristãs. O Departamento para Comunidades Cristãs no Ministério do Interior serve como escritório de ligação no sistema governamental ao qual as comunidades cristãs podem recorrer com seus problemas e solicitações que possam surgir devido ao seu status como minoria em Israel. O departamento também serve como um árbitro neutro para assegurar a preservação do satus quo estabelecido naqueles lugares sagrados nos quais mais de uma comunidade cristã tenha direitos e privilégios.



Comunidades "reconhecidas"

Certas denominações cristãs têm o status de comunidade religiosa "reconhecida". Por razões históricas datando dos tempos otomanos, as cortes eclesiásticas de tais comunidades têm jurisdição em matérias de estado civil, como casamento e divórcio.

As comunidades cristãs "reconhecidas" são a ortodoxa grega, a ortodoxa armênia, a ortodoxa siríaca, a católica romana (latina), a maronita, a católica grega (melquita), a católica siríaca, a católica armênia, a católica caldéia e, desde 1970, a episcopal (anglicana).

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